Relatório de visita dos engenhos de Sergipe
ENGENHO SÃO FELIX:
O primeiro engenho que a turma de Historia de Sergipe II visitou fica localizado em Santa Luzia do Itanhy chamado São Felix, uma curiosa informação referente a este engenho, é que esse, teve seu auge, em meados do final do séc. XVII até o decorrer do séc. XIX. Junto ao auge do "ouro branco", o açúcar, em Sergipe. Sendo assim, dizemos que esse foi um Engenho do tipo “Banguê”, pois era 'pequeno', e que não se sustentava apenas com o cultivo da cana, mas também de alimentos de subsistência cultivados pela agricultura. Rico em muitas histórias, foi casa da família Vieira, que tinham fortes influências políticas e econômicas na província. Chegando ao Engenho, que foi erguido no ano de 1632 e é considerado o segundo engenho mais antigo de Sergipe, a propriedade foi tombada como patrimônio do Estado em 06 de janeiro de 1984 e passou por uma recente reforma, preservando as suas características originais. Além dos móveis coloniais, a propriedade conserva a antiga senzala na parte inferior do casarão e 250 hectares com pequenos córregos, nascentes, restinga de mata atlântica e estruturas históricas como a chaminé da antiga usina. Hoje a renda gerada na propriedade vem da criação de gado, mas segundo fui informado durante essa visita, o proprietário Sr. Gilberto demonstra interesse em investir na recepção de turistas e visitantes no histórico engenho. O acesso é possível em qualquer clima, já que o mesmo se encontra muito próximo à cidade e tem a boa condição da estrada como sua aliada.
FOTOS: Acervo Particular do Historiador e Professor Lindvaldo - UFS
Fachada
Sala principal
Logo na entrada encontramos uma mesa comum daquele tempo, larga, com gavetas, e uma madeira que resiste muito bem ao tempo.
FAZENDA CAMAÇARI:
Ao chegarmos nesta linda fazenda, que fica localizada no município de Itaporanga D' Ajuda, fomos recepcionados pelos atuais proprietários. Dentre eles, Dona Maria Augusta, neta de Arnaldo Rolemberg Garcez. Nessa fazenda, ouvimos a palestra do Prof. Samuel Barros. Conhecedor da historia da Fazenda, o professor falou que a produção de açúcar em Sergipe, pode ser considerada tardia. A Fazenda Camaçari, um espaço de memória, referente ao ciclo do Açúcar em Sergipe.
Sobre a história da Fazenda, o Prof. Samuel, destaca que no seu início, ela foi um Engenho, e somente com a queda do açúcar em Sergipe, é que irá se tornar fazenda, tendo como atividade principal a criação de gado. A Fazenda Camaçari é banhada pela Bacia Vaza Barris. Destacou ainda que a primeira fonte escrita, conhecida até hoje, que faça menção á Fazenda Camaçari, se trata de um Livro de Matricula, do ano de 1807. Esse livro faz um levantamento das terras Sergipanas, que naquele período, pertencia a Bahia. Nele, está documentado que a Fazenda Camaçari pertencia à José Ribeiro Lozano.
E somente em 1855, é que se terá registros escritos, referente a mesma. Esse, por sua vez se trata de uma das obras de “Orlando Dantas”. Onde relata que a Fazenda Camaçari, era um dos “feudos” sergipanos, ou seja, era um dos responsáveis pela dominação da região. Nesse período, a Fazenda Camaçari pertencia ao Barão de Itaporanga sendo que em 1870, essa fazenda agora pertenceria ao Barão de Estância , proprietário também, do Engenho Escurial, isso através da partilha de bens. Já em 1890, a Fazenda passou a pertencer a José Correia. Pouco tempo depois a Fazenda volta a pertencer a família do Barão de Estância. Onde posteriormente, João Sobral Garcez herda a fazenda após casar-se com uma bisneta do Barão de Estância. Com a morte de João Sobral, a fazenda passa a pertencer ao seu filho José Rolemberg Garcez.
FOTOS: Karla Jamylle, discente da UFS.
Fachada bem aberta e com algumas janelas, arquitetura típica daquele tempo.
Parte da mobília da residência. A madeira bem decorada, os vasos tipicos do tempo.
Igrejinha que fica próximo a casa, simples, pequena, mas riquissima em História.
FAZENDA DIRA:
Sobre a estrutura do engenho, esta sofreu muitas modificações. Mas preserva a sua capela que data do ano de 1703. Sendo de grande importância citar que a Casa Grande só foi construída em 1770, essa a primeira casa que tinha uma estrutura colonial. Já a segunda versão, foi construída aos moldes da arquitetura neogótica. Tem na sua estrutura lapides dentro da Capela. As lapides, eram de ex- proprietários, sendo que quanto mais próximo do altar era a lapide, mais importante era a pessoa. Quanto a casa, essa é composta por nove quartos, todos com suítes. Mostrando que a parte interna da propriedade foi completamente modificada. Sendo preservada apenas, a fachada da casa. O engenho Dira, é banhado pelo Rio Vaza Barris. O primeiro proprietário foi Antônio Theles de Menezes. Com a sua morte, durante o sec. XX o engenho pertenceu a Família Sobral, já no sec. XXI, ele passou para as mãos do Grupo Maratá.
O prof. Antonio Lindvaldo, em suas falas, citou que uma das pessoas que falam sobre o Engenho Dira, é a Arquiteta Kátia Loureiro. Ela diz que a capela é de arquitetura singela e afastada da casa grande. Já voltando a fala do professor Lindvaldo, esse menciona que os bancos ali dispostos na capela, não são do período da criação da mesma. Já que até o sec. XVIII, as missas eram celebradas em pé. Outro ponto apontado pelo professor foi a presença da imagem de São Benedito, assim como a presença da Cruz.
FOTOS:
Fachada principal. Pertencente ao grupo Maratá, a parte interna foi modificada, entretanto a parte externa ficou intacta.
Jardim.
A igrejinha foi construida em 1703, e a casa somente depois, em 1770. Permanece ainda preservada.
FAZENDA SANTA CRUZ;
Nesse belíssimo lugar rodeado de muitas histórias, tivemos uma boa fala da mestranda Priscila que através de suas pesquisas nos falou que a Fazenda Santa Cruz teve como seus primeiros proprietários a Família Bragança. E também nos disse que parte da mobília da fazenda, assim como alguns lustres e objetos de decoração, faziam parte do Engenho Pedras, e foram herdados pelo marido de Dona Baby. Uma informação importante para nós, é que a sala central da Fazenda Santa Cruz, tem a mesma disposição, no que se trata das mobílias, do Engenho Pedras. É importante mencionar que Dona Baby, residiu no Engenho Pedras durante os anos de 1969 a 1971. Quanto a estrutura interna da casa, estava assim dividida: no primeiro piso se encontra as salas, alguns quartos, cozinha. Já no piso superior estão os quartos e a biblioteca da família. Quanto à mobília, sendo ornamentada com objetos de prata, cristais, coxas e telas que embelezaram toda a casa. Deixando para nós estudantes o sentimento de rememoração do passado, permitido pelo fato da preservação de objetos de memória, importantes para a formação da identidade de um povo.
FOTOS: Karla Jamylle, discente da UFS.
Fachada principal
Mobília interna da residência.
Uma tela conservada. Era comum, as famílias colocarem quandros em suas paredes para poderem decorar suas paredes. Sinal de exuberância, e arte.
CONCLUSÃO:
Enfim, a viagem me proporcionou uma nova visão sobre a cultura do meu Estado inserido na formação do meu país, mostrando uma parte de sua história que é muito importante para os futuros historiadores. A valorização de nossos bens materiais e imateriais é de grande importância, já que é a nossa formação de identidade cultural que mostra a construção de nossa sociedade.





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Muito bom Caio César. Informações interessantíssimas. ;)
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkk, valeu saaam !
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