Quando os turistas, e as pessoas que ali vivem no Centro do Rio de Janeiro, veem a estátua equestre do nosso primeiro presidente, o alagoano Marechal Deodoro da Fonseca, dar um ar um tanto triunfal diante de nós. Foi feita justamente pra isso, para demonstrar toda sua imponência e soberania à frente de todos que ansiavam por um novo modo de politica para o Brasil. Entretanto, essa "mudança" ocorreu de outra maneira como veremos a seguir.



Estátua do Marechal Deodoro da Fonseca. Inaugurada em 1937, pelo então ex-presidente Getúlio Vargas, durante o Estado Novo.
Marechal Deodoro da Fonseca
Marechal Floriano Peixoto, o "mão de ferro"
Não sei se muitos de vocês perceberam, mas nossos dois primeiros presidentes foram militares, e nenhum dos dois eram republicanos, em qualquer sentido que se possa encaixar ao termo. O nosso alagoano Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892) veterano da Guerra do Paraguai, monarquista até a "última sujeira do dedo mindinho" e amigo do imperador D. Pedro II. Não pensava de forma alguma derrubar o governo instaurado, nem sequer pensava em ser presidente. Daí é que surgiram os primeiros roldões da nossa política brasileira. Pelo fato de que naquela circunstância tratava-se de derrubar o gabinete liberal do Visconde de Ouro Preto, Afonso Celso de Assis Figueiredo, na chamada "Questão Militar". E aí aconteceu de que os militares ligados ao Marechal Deodoro, espalharam a notícia de o ministro ordenara a sua prisão. Mas a decisão do líder militar de dissolver a monarquia ocorreu da informação de que outro politico liberal, o gaúcho Gaspar da Silveira Martins, seu arquirrival pessoal, assumiria o novo gabinete. E de forma nada republicana e hostil, decretou-se a "República".
O primeiro desafio, por conseguinte foi fazer com surtisse efeito. A família imperial foi banida para a Europa (ás escondidas), uma nova constituição fora promulgada (1891) e formalmente, instalada uma descentralização administrativa. Claro que formalmente: porque a constituição assegurava o Federalismo, mas os governos locais não podiam entrar em contradição com o governo central. E assim, a República nascera de uma sob uma ditadura militar. Quem pode afirmar isso são os opositores durante o segundo período presidencial (1891-1894), sob a "mão de ferro" do marechal Floriano Peixoto, alagoano como Deodoro: censura à imprensa, perseguições politicas, execuções.
Em seguida em 1894-1898, o Brasil elege o primeiro civil para a presidência: Prudente de Moraes e depois Campos Sales (1898-1902), eram republicanos da velha estirpe. Seus mandatos foram momentos de distensões politicas, embora a força excessiva do Estado contra a população não tenha deixado de ser usada, como no trágico episódio em Canudos, na região árida da Bahia (1896-1897). Ambos constituíram o Partido Republicano durante o império, apoiaram a luta abolicionista e compuseram a Constituinte que produziu a primeira Carta do novo regime. Havia décadas se empenhavam em reformas sociais e politicas, porque estavam diante de todos os problemas que o país estava passando. Essa geração de 1870, era um grupo de homens letrados, e da politica comprometidos com os valores à época chamados de "civilizados", ou seja, fim da escravidão, participações politicas, educação. Nesse perfil podemos citar: Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, André Rebouças, que defendiam a ruptura com as tradições do império e reivindicavam um governo que acreditavam ser científico, tendo como exemplos, as potências da época: Inglaterra e França, uma monarquia e uma república.
Prudente de Moraes faz a primeira tentativa séria de instaurar um governo de fato republicano. Para iniciar, foi eleito, ao contrários dos dois primeiros presidentes. Comparado com o estilo viril de Floriano, sofria com piadas infames do tipo: "ele é prudente demais". Pressionado, acabou despejando toda sua ira na cidade de Antônio Conselheiro e seus discípulos.
Já Campos Sales, paulista como o primeiro, se dedicou à recuperação econômica. Nos anos anteriores, vivera-se uma economia "de guerra" agravada pela crise do encilhamento, em parte resultado da polêmica gestão de Rui Barbosa, como ministro da Fazenda.
Podemos observar o quão nosso país teve momento de intensas correntes politicas e filosóficas, e que boa parte de nossos governantes apenas enxergavam sua pequena corja de interesses para poderem adquirir mais forças. Isso acontece até os dias atuais, mesmo com toda a fiscalização que acaba por cair em maus gestores e assim corrompendo-se facilitando as práticas mais enojáveis de um político.
Referencias:
ARQUIVO NACIONAL. Os presidentes e a República. Rio de Janeiro: 2001
SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão. 3° ed. São Paulo: Brasiliense, 1989
http: //www.rhbn.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário