Filho único, Slavoj Zizek nasceu em 1949 e passou grande parte de sua vida em Ljubliana, na Eslovênia, quando a pequena capital alpina era ainda integrada a Iugoslávia comunista. Como muitos adolescentes dos antigos estados satélites da URSS, Zizek consumia avidamente a cultura popular ocidental em vez de televisão, livros e filmes aprovados oficialmente. Muito de seu conhecimento do cinema hollywoodiano - um tema que ele escreveu extensivamente bem - foi adquirido durante sua adolescência, quando passava um bom tempo num cinema especializado na exibição de filmes estrangeiros.
Como pessoa pública, Zizek usa a provocação, que é compensada por uma personalidade altamente engajada e afável. Ele crê que o Ocidente se libertou muito prontamente da era comunista e fala para audiências ocidentais de uma posição clara e assumida de profundo conhecedor do assunto. O lado provocativo de Zizek é equilibrado pelo seu impressionante instrução de filosofia e política e por uma apresentação efetiva de si mesmo como um intelectual com um "supercérebro" maior do que a realidade e explosivo em ideias. Ao se engajar em polêmicas, Zizek propositalmente evita brigas ou disputas abertas, uma tática esquematizada para criar um espaço em que a audiência ou o interlocutor tem de se posicionar sobre suas responsabilidades politicas e pessoais. Em seus escritos "(...) Zizek se ocupa principalmente sobre politica, porém sempre explora esse tema por meio de uma gama de assuntos e interesses. Eis alguns dos muito temas sobre os quais escreveu: filmes de Hollywood, ficção popular (Stephen King, Artur Conan Doyle, Agatha Christie), alta literatura (Sófocles, Shakespeare, Kafka), óperas (Mozart, Bizet, e Wagner) (...)".
Como nosso filósofo abrange diversas áreas de conhecimento acerca de nosso mundo, segui um tema do qual sou muito afetuoso, e que é de muita relevância em nossa sociedade: o Cinema. Zizek, faz análises de diversos filmes e uma delas é sobre um que eu assisti há alguns meses atrás chamado Psicose (1960) do diretor Hitchcock, onde para Zizek, encapsulam a abstração de que cada imperativo mantido pelo superego tem sua contrapartida obscena. Para Slavoj Zizek, os três pisos da casa na colina em Psicose correspondem aos três níveis principais na psique do protagonista do filme, Norman Bates. O piso superior é o superego de Norman; o piso térreo seria o seu ego; e, o porão, seu id, seu inconsciente. A interconexão entre o primeiro e o último desses níveis é mostrada na cena em que Norman leva sua mãe do quarto, no piso superior da casa, para o portão, para assim para escondê-la: a reação da mãe é repreendê-lo, mas ela também aproveita a oportunidade para flertar com o filho.
Ao evitar traçar uma linha ou divisão entre o superego e a obscenidade no inconsciente, Zizek aceita formalmente que todos nós estamos implicados no mais sombrio dos desejos. Essa ideia fica clara em outro filme de Hitchcock - que ainda não assisti - em Janela Indiscreta (1954). Comenta que, "lidando com uma injúria recente, Jeff investe seu tempo observando a vida dos vizinhos. Ao mesmo tempo que observa, ele evita se envolver sexualmente com sua namorada, Lisa alegando que não deseja se comprometer, e nem mesmo se casar. Mas, o que Jeff vê pela janela são as fantasias do que poderia acontecer com ele e Lisa. Eles poderiam se tornar recém-casados felizes; ele poderia abandoná-la; eles poderiam passar o tempo livre juntos, como um casal normal que tem um cãozinho e é complacente com a rotina que mal esconde seu desespero; ou finalmente, ele poderia matá-la."
Como o enredo de Janela Indiscreta mostra Jeff descobre que um de seus vizinhos assassinou a esposa. Numa das cenas, jeff é confrontado pelo autor do crime, de quem ele tenta desesperadamente se livrar por meio de uma cortina de flashes. Zizek nota que essa cena "foi rodada de um modo incrível, completamente irrealista". A cena mostra perfeitamente o efeito mobilizador da própria fantasia de Jeff, e então o assassino reflete o desejo de Jeff de matar Lisa. Longe de traçar uma linha entre vilão e herói, este filme revela como o "herói" é o criminoso que o protagonista observa.
Zizek, na minha opinião tem um imenso leque de observações analíticas, complexas que deixam qualquer leitor (especialista ou não) acha uma leitura densa e ao mesmo tempo bastante radical, devido ao seu extremismo à esquerda. Entretanto, não deixo de negar, que é um dos maiores filósofos da atualidade, fazendo sempre comentários dos quais assustam qualquer "conservador" contemporâneo. Esse pequeno texto, ainda não chega a ser 1% do que realmente Slavoj Zizek retrata do mundo atual, mas creio que é de grande importância expormos nossas visões para nos desgarramos dessa atonia que é nossa sociedade.
Quem quiser poder se aprofundar mais no assunto sobre Zizek, listei abaixo alguns livros, e filme que podem ajudá-los a desvendarem muito mais sobre suas ideias, segue referências:
ZIZEK, Slavoj e DALY. Arriscar o Impossível: conversas com Zizek. São Paulo. Ed. Martins Fontes, 2006.
O Guia Pervertido da Ideologia (filme). Produção: Zietigeist. 2006
ZIZEK, Slavoj. O ano em que sonhamos perigosamente. São Paulo. Ed. Boitempo, 2008
____________ Vivendo no fim dos tempos. São Paulo. Ed. Boitempo. 2007

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