quinta-feira, 24 de abril de 2014

Uma sombra que aterroriza a alegria nos estádios de futebol: A Violência entre "torcidas".

Começo a escrever esse texto me perguntando se vale mesmo a pena, morrer por algo tão fútil, tão fugaz e mesquinho quando trata-se de futebol, mundialmente falando ou não. Todos os dias, pelo menos quando há jogos sendo transmitidos para o mundo inteiro, centenas e milhares de pessoas dão uma imensa atenção ao evento que atrai bilhões de dólares e juntamente com esse montante vários fanáticos por seus times. 
A depender de que jogo, e do que esteja valendo - seja um rebaixamento, uma final, uma vaga decisiva - a presença em massa de policiais capacitados e prontos para uma ação de efeito, é de imensa necessidade já que os ânimos dos "torcedores" estarão bastante alterados. Para a professora da Unicamp e com Ph.D em Sociologia do Esporte, Heloísa Reis  diz que : "se o país não conseguiu formar agentes públicos de segurança com mais inteligência, é difícil achar que exista preparo na segurança privada. O Estado não tem como abrir mão da segurança, isso até fere a nossa Constituição" comenta. 



Torcida de Atlético-PR e Vasco entraram em conflito na partida entre as duas equipes no domingo. Quatro torcedores foram levados ao hospital. Foto: GERALDO BUBNIAK / ESTADÃO.ADÃO CONTEÚDO



É difícil lidar com essas pessoas, já que as brigas são agendadas pela Internet, dificultando e muito as investigações, devido a falta de características que poderiam ajudar a prender esses "torcedores" que prejudicam o evento. Muitos desses delinquentes, usam um perfil falso justamente para que ninguém possa saber de quem se trata, e de onde tenha partido tal assunto em questão. Segundo a professora Heloísa: "As brigas ocorrem por história de rivalidade entre clubes e torcidas. Há necessidade de conhecimento do problema, uma avaliação de risco. Esse jogo de domingo era de alto risco, um clube grande poderia ser rebaixado. Deveriam ter procedimentos de prevenção, uma divisão das torcidas por objetos intransponíveis" — argumenta sobre o último jogo do Campeonato Brasileiro onde o Vasco enfrentou o time da casa: o Atlético Paranaense.
Para a professora, as "organizadas" são parte do problema. Ela culpa os organizadores por não evitarem a maioria dos conflitos: "Os grupos violentos de torcedores são constituídos por homens que gostam de brigas e que desejam ser reconhecidos por isso. As organizadas são parte do problema. Em muitas tragédias, há mais erros dos organizadores. Se não há nenhum obstáculo físico entre os torcedores, o organizador falhou. Se não tem a força do Estado, o Estado falhou. Quem tem mais culpa? Aquele que não previu ou quem perdeu a cabeça? Cabe aos organizadores e ao Estado preverem estratégias que impeçam o contato. Falta ao Brasil trabalhar o tema com seriedade.
Certo, vale lembrar que 98,9% das torcidas organizadas do mundo inteiro, seja de países desenvolvidos como: Itália, Inglaterra, Espanha, França, são impulsionadas pelos próprios dirigentes dos clubes, onde oferecem ingressos com metade do preço do mercado, e em algumas ocasiões são gratuitos para os integrantes das organizadas. Segundo o professor doutor George Felipe de Lima Dantas, formado na George Washington University, nos Estados Unidos. Para ele, muitas organizadas são gangues onde a violência e o crime são incentivados: "A grande questão não é a torcida organizada, mas é em nome de quê elas existem? Se os clubes ajudam essas torcidas, eles estão patrocinando essa violência." Entre as propostas para controlar a violência nos estádios está o cadastramento das torcidas organizadas, que está previsto no Estatuto do Torcedor. Atualmente, no Brasil, tramita na Câmara de Vereadores de Porto Alegre um projeto que obriga os clubes a realizarem a identificação  biométrica de quem frequentará a Arena do Grêmio e o Beira-Rio.
— A Argentina tem, fazem um cadastramento de todos os torcedores. É uma medida interessante, o torcedor perde o anonimato — opina o promotor Mendes Júnior.
No Rio Grande do Sul, os principais casos de conflitos são registrados entre torcidas do mesmo time, que brigam pela liderança, como ocorreu com torcidas do Grêmio e do Inter. E assim acontece em todos os estados da federação brasileira, torcidas que se coligam com outras de várias regiões do Brasil para cometerem tais atos de barbaridade.
Para podermos ter um pequena noção de como a violência rompe barreiras, listei alguns confrontos dos quais os choques são praticamente inevitáveis:

  • Roma x Lazio (Itália) 
  • Celtic x Glasgow Rangers (Escócia)
  • Manchester United x Manchester City (Inglaterra)
  • River Plate x Boca Junior (Argentina)
  • Flamengo x Vasco (Brasil)
  • Corinthians x Palmeiras (Brasil)
  • Fenerbahce x Galatasaray (Turquia)
  • Olympiacos x Panathinaikos (Grécia)

Claro, que esses não são os únicos violentos, existem diversos jogos que acontecem muitas brigas que são difíceis de conter. As rivalidades existem desde os primórdios da nossa Terra, cabe às nossas instituições de segurança e principalmente ao Estado, investir em Educação de qualidade para que possamos reverter tais situações. E assim, com o decorrer do tempo essa cultura de violência seja amenizada. Tomando como exemplo casos de sucesso em outros países, devemos apontar caminhos para ajudar a pacificar o futebol e a própria sociedade, a partir do trinômio repressão-prevenção-educação. E ajudar a nós mesmos a descortinar saídas para um futuro melhor, no qual o Brasil sempre será, como dizia o dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues, a “pátria de chuteiras”.


Referências:
http://esporte.uol.com.br/futebol/especiais/violencia.jhtm
http://vejasp.abril.com.br/materia/violencia-nos-estadios
Murad, Maurício. A Violência no Futebol. São Paulo, Ed. Benvirá. 2012


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