O período que em questão (1889-1930) apesar de ter sido muito examinado ao longo da década de 1980 por vários estudiosos, e alguns estrangeiros, há muito tem deixado de ser objeto de interesse de novos especialistas e pesquisadores, principalmente no que diz respeito aos seus aspectos políticos. Este esvaecimento progressivo do tema fez com que alguns "esquematismos analíticos" fossem consolidados, em que pesem pesquisas recentemente produzidas. Em relação ao coronéis, pesquisas recentes direcionam que as lideranças que ocupavam o poder na Primeira República não provinham exclusivamente dos estados de Minas Gerais e São Paulo. Vinham de vários estados do Brasil. Entretanto, é sábio que entre os vinte estados e o DF (Rio de Janeiro, na época) tinha aqueles mais destacados politicamente.
Geralmente eram eles compostos por oligarquias estáveis, economias fortes e dinâmicas, estados mais populosos ou que tivessem uma grande importância no período imperial. Este conjunto de características contribuía para que um determinado estado ou uma aliança ganhasse projeção politica ao longo do período. Pode-se acreditar que os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco eram de imenso destaque nacional. No que se refere às alianças havia várias compostas não exclusivamente por Minas e São Paulo. Elas funcionavam como coalizões provisórias que mudavam a partir dos diferentes cenários e em atenção a interesses de ocasião. Desta maneira, Minas Gerais se aliou ao Rio Grande, à Bahia e ao Rio de Janeiro para eleger seu candidato Afonso Pena, em 1906. São Paulo se aliou a um amplo conjunto de estados para eleger seu candidato Washington Luis, em 1926. Poderíamos dar vários outros exemplos. O fato é que a chamada "café-com-leite" foi um fenômeno dos anos 20. Até então uma aliança entre Minas e São Paulo não havia acontecido.
Já o fenômeno do Coronelismo, o termo é um conceito que corresponde à troca de votos por favores políticos, ocorrido por todo o Brasil ao longo do período. Claro que existe uma vasta discussão historiográfica em torno do conceito, mas há um consenso de que o fenômeno não ficou somente restrito às oligarquias nordestinas. Havia sim, coronéis gaúchos, mineiros, paulistas, etc. Sua importância era grande para a movimentação econômica e social de cada estado. Como chefes municipais, os coronéis controlavam e detinham o poder dos votos da maior parte dos eleitores e, por estarem enfraquecidos financeiramente depois da constituição de 1891 - que alocou a maior parte dos recursos financeiros nos cofres dos estados, esvaziando as finanças municipais - se valiam da autoridade para que os votos pudessem permutar por benefícios, tais como cargos, nomeações, obras públicas, entre outros.
Se prestarmos atenção aos dias atuais, como diz um prof. meu : "não é mera coincidência", o jogo politico sofreu diversas alterações, mas definitivamente, a sua essência continua sendo a mesma.
Referência:
LEAL, Nunes Victor. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo. Ed. Cia das Letras, 2009
Referência:
LEAL, Nunes Victor. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo. Ed. Cia das Letras, 2009

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